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Liberdade de Ser – Psicologia

Veneno emocional

 

Mágoas, raiva. Quando guardamos sentimentos ruins, eles vão inflamando e causando uma infecção emocional. Tudo o que nos acontece, vamos absorvendo e por algum lugar tem que sair.  Aí normalmente se desenvolvem os sintomas emocionais ou físicos.            Ou seja, produzimos o nosso próprio veneno!
Apenas falar o que incomoda para desabafar não adianta. Existem pessoas que ficam falando por anos sobre o mesmo assunto, mas não o resolvem de fato. Estão apenas compartilhando sua frustração e não com a intenção de curar a ferida. Ao relembrar e falar constantemente, acabam retroalimentando e solidificando aquilo ainda mais em sua mente, além de se tornarem um fardo para os outros.

O que fazer então?

Para sarar é preciso desabafar uma última vez,  buscando a cura e de forma que não cause dano aos outros. Desabafar, com a real intenção de buscar solução e se ver livre de tais sentimentos e não simplesmente descarregar a ira ou ficar no papel de vítima.

Existem técnicas que podem ser utilizadas, como por exemplo escrever uma carta para a pessoa que te feriu, mas sem necessariamente enviá-la. Depois ler em voz alta e queimar esta carta, como um símbolo de que já não quer mais carregar este peso.
Falar com uma cadeira vazia, fazendo de conta que a pessoa está ali.
O desabafo não é para a outra pessoa, é para nós mesmos. Se depois deste desabafo simbólico ainda surja a necessidade ou a oportunidade de falar diretamente com a outra pessoa, em geral já se consegue fazê-lo sem o rancor de antes. Isso possibilita uma conversa que edifique o relacionamento e não que o destrua ainda mais. Se não estamos armados com a nossa raiva e amargura, o diálogo tende a ser bem melhor.

Caso os sentimentos ruins ainda persistam, talvez você deva considerar fazer uma psicoterapia, que é um espaço seguro onde se pode desabafar sem ser julgado.
Com as técnicas adequadas, esta carga emocional vai sendo limpa, de modo que o fato acontecido se torne apenas mais uma experiência na tua vida, mas que já não te perturba mais.

O dom de ser feliz

A felicidade não é um momento de euforia e nem a realização de desejos. Tudo isso é bom e prazeroso, mas tem curto prazo de duração.
A real felicidade é muito mais profunda e constante. É um estado interno de paz e plenitude.

Segundo autores de Psicologia Positiva, nossa felicidade é composta pela chamada “Tríade da Felicidade”. É quando o nosso dia a dia é repleto de elementos que nos são agradáveis, que nos cativam e que fazem sentido para nós.

Fazer algo agradável é fazer o que nos faz sentir bem. É poder vivenciar muito mais as emoções positivas, como amor, alegria, esperança e inspiração, do que emoções negativas como medo, tristeza e raiva. No ambiente de trabalho por exemplo, isso equivale a utilizar apenas 25% do tempo com aquelas atividades que não são tão prazerosas, mas que precisam ser feitas, e 75% do teu tempo executando atividades que realmente lhe dão prazer.

Fazer algo cativante é que dá vontade de repetir várias vezes. Consiste em buscar experiências onde atingimos um estado chamado de flow, ou seja, onde o corpo e a mente fluem de uma forma totalmente harmoniosa. Podemos dizer que é a concentração total em uma atividade, seja ela física, mental, intelectual, artística, musical, social, religiosa, entre outras.
É o que fazemos com prazer e naturalidade, nos sentindo motivados e energizados.

Fazer algo com sentido é fazer o que tem significado um propósito maior e que aquece o nosso coração. É estar engajado a uma causa maior, seja ela social, espiritual, política, etc. Tem muito a ver em servir ao outro com o seu dom. É quando encontramos um sentido, um propósito para nossa existência.

Se sua vida diária é repleta destes três elementos, que envolvem engajamento, experiências de fluxo e de significado, você está a caminho de uma vida plena e feliz!

O brincar entre pai e filho

É indiscutível a importância do pai na vida do filho, em diversas esferas. Mas vou aqui falar especificamente do brincar, que é a linguagem universal de qualquer criança. É por meio das brincadeiras que ela se expressa, se relaciona, que ela aprende a lidar com o ambiente e que elabora suas questões internas. O brincar é um ensaio para a vida.

Se os adultos brincam com os filhos, estão participando dos momentos mais importantes e determinantes da vida deles. São momentos em que a criança está totalmente aberta e receptiva para assimilar novos aprendizados, conteúdos e valores. São momentos inesquecíveis para o filho e muitas vezes para os pais também. É só você fazer o teste: feche os olhos e tente se lembrar dos melhores momentos que você teve com seu pai em sua infância. Provavelmente se lembrará dos momentos lúdicos que tiveram juntos, por mais simples ou breves que tivessem sido.

A energia feminina e masculina é diferente, portanto, normalmente a forma de brincar da mãe e do pai também são diferentes. Enquanto a mãe costuma ser mais cuidadosa, aconchegar, brincar com mais suavidade, os pais são mais dados a aventuras, deixam brincar “perigosamente” no parquinho, subir em árvores, não ligam se a criança se suja, são mais ativos e estimulam mais a energia corporal.

E para a criança, é muito bom ter o equilíbrio destas energias ou formas diferentes de brincar em sua vida. Imagine se a criança brinca apenas com alguém que tem medo da criança de machucar   e está sempre dizendo para ela se cuidar, senão vai cair. Esta criança poderá crescer insegura, com medo de se arriscar e buscar novos desafios.  Normalmente é o pai que leva a criança para o mundo externo e a deixa correr riscos, que ensina a andar de bicicleta, empina pipas, escala morros, joga bola, corre, rola no chão e brinca de lutar. Conforme o filho vai crescendo e se tornando adolescente, ambos podem travar altas batalhas no vídeo game, computador ou até jogos de mesa e se divertir muito com isso.

Todo ato de brincar gera um vínculo. Quanto mais pai e filho brincam juntos, maior será o vínculo entre eles, maior será a confiança, companheirismo e cumplicidade.

As brincadeiras podem começar desde bebê, indo até a idade adulta, onde pai e filho ainda compartilham momentos de lazer, como pescar, jogar futebol ou praticar qualquer outro esporte, passear, jogar sinuca, jogos de cartas, etc. Os pais que tem um bom vínculo com os filhos adultos, normalmente são os que tiraram o tempo para brincarem com eles durante toda a sua infância e adolescência.

É importante que os momentos de brincadeira sejam prazerosos para ambos, não se configurando apenas como uma obrigação. Se o pai realmente não gosta de determinada brincadeira, pode propor outras que lhe são mais agradáveis, até que juntos, pai e filho descubram a atividade preferida de ambos.

Que o pai realmente mergulhe de corpo e alma na brincadeira, se permitindo deixar as preocupações e outras atividades de lado, divertindo-se e desfrutando plenamente daqueles instantes preciosos com seu filho.   Nenhum outro momento de qualidade é mais efetivo e marcante, do que momentos de diversão vividos juntos. 

O vício de deixar a felicidade para depois

Muitas vezes vivemos como se tudo dependesse de algo que não pode ser encontrado no agora, mas só no depois. Nos convencemos de que temos que esperar para realizar nossos sonhos ou para sermos felizes. Esperar se formar, esperar casar, esperar ter mais dinheiro, esperar mudar de casa, esperar o filho nascer, esperar o filho crescer, esperar emagrecer, esperar se separar…  Estamos à espera do momento perfeito para fazer o que quer que seja na nossa vida. E assim vamos empurrando nossos planos para depois… E o pior é que normalmente quando a tão sonhada situação chega,  acreditamos que aquilo não era o suficiente e criamos outra busca pelo momento perfeito, que talvez nunca chegará.

Esta espera pode apenas estar escondendo nosso medo de errar, de se arrepender, de arriscar, de fracassar, de fazer papel de bobo, de não ser aceito, de não ser o que se imaginava. E assim vamos postergando a vida, como se tudo só fizesse sentido no depois. Racionalizamos demais, esperamos demais, calculamos demais e vivemos de menos. O tempo vai passando e deixando para trás todos os sonhos que a gente sonhou.

Não deveríamos esperar o “posso fazer” se transformar em “poderia ter feito”.  Não precisamos deixar a vida passar, para nos arrepender do que não fizemos, para entender o quanto certos momentos e pessoas eram especiais e não desfrutamos. Não precisamos esperar nos arrepender pelos abraços que não demos, palavras que calamos, portas que não abrimos, caminhos que não exploramos; para entender o quanto o momento “agora” é especial, único e passa num piscar de olhos.

O futuro ainda não existe e nem sabemos se vai existir, pois não temos controle nenhum sobre ele. Então porque deixamos os nossos planos e nossa felicidade sempre nas mãos do futuro? O único momento real é o momento presente e é só nele que podemos fazer algo. É no agora que vivemos, construímos e crescemos. A vida bem vivida é uma construção de vários pequenos detalhes que fazem parte do nosso dia a dia.  É a nossa trajetória, com todas as suas delícias, dores, medos, descobertas, erros, aprendizados e conquistas, mas é no hoje.  É o vivenciar a vida e ao mesmo tempo construí-la.

Seremos bem mais realizados se encararmos cada novo dia como uma oportunidade de recomeçar, de agir e de celebrar. Vamos tirar nossos projetos da gaveta e começar a colocar em prática! Vamos viver o momento presente com as melhores roupas, os melhores talheres, as melhores pessoas, as melhores palavras, os melhores pensamentos e melhores vivências que podemos ter. Vamos deixar de esperar por algo extraordinário e perceber que na verdade a vida plena é feita das coisas simples mas verdadeiras, que estão ao nosso redor aqui e agora!

Dependência emocional

O dependente emocional é também chamado de codependente. É aquela pessoa que deixa constantemente o comportamento de alguém outro afetá-la e é excessivamente preocupada com ela. São pessoas geralmente generosas, carinhosas, que se doam e estão sempre dispostas a ajudar e a “salvar” alguém.  O bem estar dos outros costuma ficar acima do próprio bem estar.  Os codependentes podem ser chamados de controladores ou manipuladores pelos demais porque às vezes insistem que o outro mude, achando que determinado comportamento não está lhes fazendo bem.  O seu “controle” é no sentido de procurar fazer com que as pessoas em volta fiquem felizes e fazem de tudo para que isso aconteça, esquecendo-se do que elas mesmas querem. E se não conseguem fazer o outro feliz, podem ainda se sentir culpadas por isso.

A grande dificuldade dos codependentes é que eles não conseguem saber o limite neste cuidado e preocupação com o outro e então negligenciam a si próprios, muitas vezes sem tomar consciência disso.  Se focam tanto em agradar o outro que se esquecem de si mesmos gerando uma grande insatisfação interna. Acabam se ressentindo e muitas vezes esperando dos outros o mesmo cuidado e preocupação. Esperam que eles adivinhem ou perguntem o que ele quer, o que não acontece. Estão eternamente insatisfeitas porque se doam demais e nunca tem as próprias necessidades satisfeitas, entrando muitas vezes, no papel de vítimas.

 Algumas características dos codependentes são:

  • Dificuldade em dizer “não” e em estabelecer limites;
  • Medo de não ser aceito ou de magoar o outro;
  • Medo de parecer mau ou egoísta;
  • Achar que é sua responsabilidade fazer a relação dar certo;
  • Dificuldade em pedir ajuda;
  • Sente-se responsável em ajudar e cuidar dos outros;
  • Muitas vezes se une à pessoas com algum tipo de vício, dificuldade emocional, psiquiátrica ou física e se sente responsável em cuidar dela;
  • Baixa autoestima;
  • Dificuldade em identificar seus próprios sentimentos e desejos;
  • Dificuldade em desfrutar de um tempo sozinho, fazendo algo que goste.
  • Necessidade em dar palpites e conselhos;

O codependente normalmente tem dificuldade em fazer escolhas saudáveis e mutuamente satisfatórias para as relações interpessoais.  Assim tende a entrar em relacionamentos unilaterais ou abusivos, tanto para amizades como para parceiros amorosos.      É presa fácil para as pessoas narcisistas, egoístas, egocêntricas. Costumam se doar e se sacrificar, sentindo um intenso desgaste emocional, já que não recebem em troca na mesma proporção. No entanto tem muito medo de ficar sozinhos, caso saiam desta relação.

Quebrar este padrão disfuncional da codependência não é fácil, já que costuma estar muito enraizado, muitas vezes tendo sido desenvolvido desde a infância. Em primeiro lugar é preciso  identificar suas necessidades e sentimentos, dar valor a eles e conseguir comunicá-los para os que o cercam.  Conseguir dizer “não” diante de um comportamento não aceitável ou quando não quer fazer algo. Começar a priorizar e a cuidar de si mesmo. Ajudar o outro somente quando ele realmente quer ou pediu por esta ajuda e sem se sacrificar com isso. Tirar de si a responsabilidade de mudar o outro ou de fazê-lo feliz. Não buscar a felicidade fora, mas saber que só posso mudar a mim mesmo e sou o único responsável pela minha própria felicidade!

Você se auto sabota?

Muitas vezes nós somos os grandes culpados por nossa saúde emocional estar debilitada. Vou citar aqui, três exemplos:

– Pensamentos recorrentes em relação ao passado. Se você fica o tempo todo se arrependendo de como agiu ou pensando no que poderia ter sido se teu passado fosse diferente, você está em uma grande armadilha emocional. Afinal, o passado você não muda mais, até porque ele não existe mais, como o nome diz, já passou. Consequentemente, não adianta ficar pensando nele, exceto para aprender com os erros e amadurecer emocionalmente a partir deles. Acolha seu passado, perdoe a si mesmo e aos outros que fizeram parte dele, aprenda o que tiver para aprender, assimile o que precisar, mas aí largue-o. Reconheça que você provavelmente fez o melhor com o arsenal emocional que você tinha na época. Se hoje você faria diferente, que bom, sinal que você amadureceu! Só volte ao passado para boas recordações ou aprendizados, mas não para remoer ou se culpar. Quando a culpa do passado insistir em voltar, policie-se e desvie-se imediatamente destes pensamentos sabotadores.

– Comparar-se aos outros. Enquanto você olha para os outros, você não desenvolve a si mesmo. A única comparação útil é com você mesmo, vendo o quanto você já evoluiu, cresceu e aprendeu ao longo dos anos. Você pode até olhar para algumas pessoas para se inspirar, motivar, pensando que se eles conseguem, você também pode conseguir. Mas você é um ser único e singular. Nem sempre o que funcionou para o outro, vai funcionar para  você  da mesma maneira. Valorize a tua história de vida, quem você é. Pegue o que você tem, com o seu jeito de ser, à sua maneira, para começar a conseguir o que você quer. Para isso é importante estar alinhado com teus valores, descobrir a tua missão neste mundo.

– Medo. Muitos deixam de fazer as coisas por medo de serem criticados, julgados, de não serem bons o suficiente. Medo de errar, medo de não conseguir, medo de não ser amado…  Ao contrário do que muitos pensam, o medo é um mecanismo de proteção, natural ao ser humano. Não há como exclui-lo de nossas vidas, ele sempre vai nos acompanhar. No entanto nós podemos escolher se deixamos este sentimento nos dominar e nos paralisar ou se agimos apesar dele. A coragem não é a ausência de medo, mas é agir, apesar dele. Devemos acolher este medo e deixa-lo ir diminuindo aos poucos. Normalmente o primeiro passo é assustador, mas depois dele vai-se adquirindo segurança e autoconfiança e ficando cada vez mais fácil. Enquanto que se não dermos o primeiro passo, o medo dificilmente passará sozinho.

 

Quando a timidez atrapalha minha vida

A timidez manifesta-se através da tensão e inibição em situações sociais, que interferem e dificultam a realização de objetivos pessoais ou profissionais. Uma pessoa tímida pode ter muita dificuldade na busca de novos empregos, ao iniciar novas amizades e namoros, em situações de intimidade, quando precisa pedir informações a estranhos, quando tem necessidade de reclamar seus direitos ou falar com autoridades…

A maioria das pessoas já passou por algum momento em que se sentiu tímido, por exemplo em alguma situação social específica, como falar em público. Quando estes momentos de timidez aparecem só de vez em quando e não chegam a impedir a pessoa de vivenciar as situações, podemos considerá-la normal. Mas existe a timidez crônica, que aparece em quase todas as áreas da vida, podendo chegar até à fobia social, que às vezes impede a pessoa de fazer as coisas mais simples do dia a dia, como dizer “bom dia” ao vizinho, ou entrar numa loja. Em uma situação social, ao invés de envolver-se na conversa, o tímido observa a situação de fora, não presta atenção ao que o outro diz, mas fica prestando atenção em si mesmo, em como está saindo a sua voz (que está baixa ou trêmula), não sabe onde colocar suas mãos, não consegue encarar ninguém nos olhos, ficando de cabeça baixa. O tímido procura ir à festas ou reuniões sempre acompanhado, isso quando não encontra uma desculpa para não ir! Também ensaia muito o que vai dizer ou procura evitar a exposição de suas idéias, pois tem vergonha e medo da avaliação negativa dos outros. Uma pessoa tímida tem muito medo de situações novas, teme ser rejeitado, sente-se sempre ameaçado, não consegue ousar… Muitas vezes possui sentimentos e pensamentos negativos sobre si próprio, sente-se inferior, sua auto estima e auto confiança são muito baixas. Por estar sempre tenso nas situações sociais, pode passar para outras pessoas a imagem falsa de ser alguém arrogante, de “difícil acesso” ou orgulhoso.

Quais seriam as causas desta timidez? Bem, existe uma parcela genética, ou seja, certas pessoas já nasceram com a personalidade mais introvertida. Mas é importante ressaltar que introversão e timidez são coisas diferentes. O meio social tem o poder de desenvolver potencialidades ou de agravar a situação. Muitas vezes esta pessoa foi criada em um ambiente pobre de estímulos ou opressor, onde não foi desenvolvida sua criatividade e liberdade de expressão. Ou então cresceu num clima em que se sentiu rejeitado e mal-amado, surgindo sentimentos de desvalorização e baixa auto-estima, tornando-se assim um adulto inseguro, incapaz de suportar a avaliação de si mesmo e dos outros. Pode também ter crescido em um ambiente super protetor não aprendendo assim, a enfrentar as frustrações do dia a dia, tornando-se medroso e não se arriscando nem para tentar melhorar as coisas, permanecendo prisioneiro de seus temores.

Independentemente de qual foi a causa, o tímido tem condições sim, de melhorar  sua qualidade de vida. Uma psicoterapia pode dar apoio emocional a estas pessoas e ajudá-las a entender e superar seus medos e inseguranças, proporcionando uma transformação gradativa no seu modo de pensar e agir. Conseqüentemente surgirão os benefícios na área amorosa, social e profissional. Com muito empenho, é possível superar os desafios da timidez  excessiva e ter uma vida plena!

Como ajudar alguém que está de luto?

Chama-se de luto, o período no qual a pessoa vive um sentimento de perda. É o nome que se dá a todo o processo pós morte, e é uma reação normal e esperada, quando se perde um ente querido. O processo de luto passa por várias fases distintas. Nas horas e dias seguintes à morte, a maioria das pessoas passa por uma fase de descrença, ficando totalmente “atordoadas” como se não pudessem acreditar no acontecido, mesmo quando a morte já era esperada. Depois dessa fase, surge um período de grande agitação e ansiedade. São comuns dificuldades em relaxar ou concentrar-se e insônias. A pessoa sente-se muito revoltada contra médicos que não conseguiram impedir a morte, contra amigos e familiares ou até mesmo contra a pessoa que morreu e que a deixou. Também é comum se culpar por tudo que não foi dito ou feito à pessoa morta, ou por tudo que poderia ter sido feito para evitar a morte. Este estado de agitação geralmente é mais forte nas duas semanas após a morte, mas logo dá lugar a períodos de grande tristeza, apatia e depressão. Surgem crises de choro e angústia intensa. Pode haver tendência de evitar outras pessoas e passar muito tempo pensativa, recordando da pessoa que morreu. À medida que o tempo passa, a depressão se atenua e começa-se a pensar em outros assuntos e até projetos para o futuro. É quando começa a fase de recuperação.

O que é luto normal e luto patológico?

É difícil falar de um tempo normal para a resolução de um luto, geralmente os profissionais trabalham com uma média de um a dois anos. Mas essa duração depende de inúmeras variáveis, como por exemplo, a forma da morte, o papel que essa pessoa tinha dentro da família, o apoio familiar, psicológico e social que o enlutado recebe, crenças culturais e religiosas, etc. A morte de um filho por exemplo, geralmente é muito mais sentida que a de algum outro parente menos próximo.

São comuns reações emocionais como tristeza, culpa, raiva, mágoa, solidão, baixa auto estima, etc. Também podem haver vários sintomas físicos, como: desmaios, falta de ar, dores em diversas partes do corpo, perda ou aumento de apetite, insônia, dificuldades de concentração, diminuição ou aumento da pressão arterial, etc. No caso de crianças pode haver uma regressão, como voltar a urinar na cama, medos e outros. Tudo isso pode fazer parte de um processo de luto normal, contanto que não dure muito tempo. Se estes sintomas persistirem, podemos pensar em um luto patológico. No luto patológico, a pessoa não sai do luto ou nem sequer entra nele (nega suas emoções). É o caso de muitas pessoas que não conseguiram chorar a perda de alguém querido, não falam sobre o assunto e parecem voltar à vida normal rapidamente. Neste luto “adiado”, a dor fica guardada e um dia vêm à tona. No outro extremo, estão aqueles que mantém intacto o quarto da pessoa morta, como se ela ainda estivesse viva, ou não querem amar novamente, se tornam amargas, com medo de sofrer novas perdas. Quando não se resolve um luto, isso pode afetar várias áreas da vida e ser o início de sintomas físicos e emocionais graves. Para estas pessoas é indicada uma terapia para que possa haver recuperação.

Como ajudar uma pessoa enlutada:

  • É importante ter alguém disponível para ouvir com atenção sem tentar sempre mudar de assunto. Certas pessoas precisam repetir várias vezes a mesma coisa até que se aliviem.
  • Silêncio, proximidade física e gestos também são meios de se comunicar. O amparo físico é muito importante.
  • Não tentar fazer com que a pessoa pare de sofrer rapidamente. Cada um tem o seu ritmo de recuperação.
  • Sentimentos como raiva, mágoa, remorso, devem ser expressos. Deve-se evitar falar coisas do tipo: “Não diga isso” ou “Nem pense nisso”.  Quando certos pensamentos ou lembranças são proibidos, podem ressurgir mais tarde em forma de sintomas.
  • Deixar que a pessoa participe do velório e enterro, inclusive as crianças, se elas estiverem dispostas. Não é indicado o uso de calmantes fortes, pois isso impede que se vivencie a situação de dor, que fica “apagada”, causando problemas mais tarde.
  • Para amortecer o impacto da perda, a família pode precisar de outros recursos, como por exemplo alguém que possa cuidar das crianças pequenas (no caso da morte da mãe), ou de ajuda financeira (no caso da morte de quem sustentava a família). A rede de apoio disponível tem fundamental importância neste período.
  • No processo de recuperação deve haver um realinhamento e redistribuição de papéis para compensar a perda. Quando morre alguém importante para o funcionamento emocional ou financeiro da família por exemplo, alguém outro deve assumir este papel. Quando morre um filho, a família tem que encontrar um novo foco de amor e cuidados que antes eram dispensados a ele.
  • Não existem respostas simples para a dor. Por isso quem quer ajudar uma pessoa enlutada, muito mais do que falar ou explicar, deve estar preparado para ouvir.

Quando nossas emoções adoecem nosso corpo

doenças psicossomáticas

Podemos adoecer fisicamente, por questões emocionais não resolvidas ou com as quais não estamos conseguindo lidar.  Sendo assim, em maior ou menor intensidade, provavelmente todos nós já somatizamos ou psicossomatizamos em algum momento.

Na somatização, apesar dos sintomas físicos, não existe uma doença orgânica. Este quadro pode se apresentar da maneira mais simples, como por exemplo uma dor de barriga antes de uma prova, dor de cabeça após uma discussão, dor nas costas após um momento tenso, etc. Mas pode também apresentar sintomas muito mais complexos, como os que aparecem no transtorno de pânico, por exemplo. Neste caso, a pessoa pode sentir taquicardia, sudorese, tremores intensos e chegar a achar que está tendo ataque cardíaco ou  que vai morrer.  No entanto, os exames clínicos não apontam nenhuma anomalia física. Normalmente esta pessoa costuma fazer uma peregrinação por médicos, pronto socorros e exames diversos, até chegar a um diagnóstico correto.

Já no caso das doenças psicossomáticas, chegam a existir alterações clínicas e laboratoriais. A doença é orgânica mas tem causas emocionais. Emoções e sentimentos nocivos e não resolvidos podem interferir no nosso sistema imunológico, prejudicando as defesas naturais do nosso corpo, permitindo o aparecimento das mais diversas doenças, tais como gastrite, psoríase, alergias, infecções, etc.

Não dá para separar o nosso corpo e nossa mente. Não existe esta dualidade, pois somos a soma de todos os nossos aspectos: físico, emocional e espiritual. A nossa mente reflete no nosso corpo e vice-versa. Quando estamos apresentando sintomas físicos recorrentes, devemos nos perguntar se há algum aspecto emocional não resolvido em nossa vida, como conflitos, perdas, falta de perdão, raiva, medo, culpa, ressentimento, insatisfação com o trabalho, casamento…   Neste sentido, o sintoma tem a função de nos alertar e mostrar  que algo não está bem ajustado. É o momento de escutarmos nosso corpo e procurarmos a real causa de nossas dores. Caso contrário, estaremos somente fazendo paliativos, sem chegar à solução.

O que não devemos falar aos nossos filhos

pai e filhos

 

Assim como o nosso exemplo tem um grande impacto sobre a vida de nossos filhos, o que dizemos também pode influenciar positivamente ou negativamente na formação de sua personalidade. Se palavras já tem um grande peso para nós adultos, imagine para as crianças, que são seres no início de sua formação. Aqui estão algumas dicas do que NÃO se deve fazer ou dizer à criança:

Não diga que a injeção não vai doer, porque você sabe que vai doer. Diga então que será rápido ou apenas uma picadinha, mas jamais a engane.

Não rotule seu filho de chato, burro, pestinha, lento, desorganizado,    “avoado” ou qualquer outro adjetivo negativo, mesmo brincando. Senão poderá fazer com que ele se torne realmente isso.

Não compare a criança com os irmãos ou outras crianças, diminuindo-a. Além de fazer mal à sua autoestima, ela aprenderá a se comparar constantemente com os outros não se valorizando pelo que ela é.

Não diga coisas que sabe que não vai cumprir, tanto castigos como recompensas. Ela aprenderá que a tua palavra não tem valor algum.

Não ria dos erros da criança. Isso pode constrangê-la e prejudicar   o desenvolvimento saudável.  Mostre que você a compreende e acolhe, dando espaço para que ela exercite determinada habilidade até aprendê-la.

Não diga apenas sim. Quando for preciso,    o “não” deve ser falado também. Os limites são necessários e dão segurança à criança.

Não mande a criança parar de chorar. Ela precisa colocar para fora a sua frustração. Pergunte o motivo do choro ou apenas peça que mantenha a calma, ensinando-a assim a lidar com suas emoções. Se perceber que ela está fazendo birra, deixe-a sem atenção por um tempo e diga que voltarão a conversar quando ela se acalmar.

Não diga palavrões. Seu filho vai repetir as mesmas palavras que ouvir de você.

Não diga mentiras, nem mesmo as “mentirinhas inocentes”.  Além de a criança aprender que não pode confiar no que você diz, também aprenderá a mentir.

Não diga que foi apenas um pesadelo e mande voltar para a cama. Crianças pequenas têm dificuldade de separar o mundo real do imaginário e precisam de acolhimento nesta situação. Acalme seu filho e leve-o para a cama, fazendo companhia até ele adormecer ou se sentir seguro.

Nunca diga que vai embora  quando a criança desobedeceu ou algo te desagradou.  Este tipo de ameaça e chantagem geram uma insegurança muito grande na criança.

Não ameace dizendo para não ir ali porque tem “bicho papão” ou que se desobedecer vai chamar determinado monstro ou homem assustador. Isso vai desenvolver um medo desnecessário na criança, que pode vir a aumentar.